Cotidiano Capella

Um pouco do meu cotidiano

Categoria: Observações

A perda da capacidade descritiva

Essa semana foi almoçar como uma pessoa. Na conversa ela comentou que tinha recebido dias antes pelo celular fotos de coisas antigas que remetiam sua infância. Para promover a conversa pedi para descrever. Imediatamente a pessoa pegou o celular e mostrou o conteúdo para min. Já acho uma grande falta de educação utilizar celulares quando você está comendo com alguém. Dessa vez relevei.

Assunto vai e vem. Começamos a falar sobre um imóvel que a pessoa tinha visto para alugar. Ela também tirou o celular e mostrou as fotos do imóvel.

Logo depois de guardar o celular a conversamos mais um pouco e a pessoa resolveu tirar novamente o celular para me mostrar algo. Não aguentei e disse: não me interessa ver o seu celular, mas sim falar com você. Descreva o que quer mostrar e pare de usar o celular.

Sei que fui um pouco bruto, mas esse episódio me promoveu uma grande reflexão. Atualmente o acesso a informação está tão disseminado e fácil que não a mais a necessidade do homem descrever as coisas. É muito mais fácil ele pegar o conteúdo já existe e exibir para a pessoa que ele está conversando.

Ao longo dessa semana, tentei perceber se mais pessoas faziam esse tipo de atitude. E descobri e a maioria dos meus amigos e inclusive eu estamos perdendo a capacidade dee descrever coisas. É muito mais fácil saber onde encontrar uma informação do que lembrá-la por completo. Mas será que isso é bom?

Quando observamos um evento ou uma foto estamos tendo acesso ao conteúdo completo, sem nenhuma interpretação e modificação. Ou seja, estamos tendo acesso ao dado verdadeiro. Isso me parece muito interessante e faz as histórias de pescadores sumirem. No entanto quando paramos de descrever algo, paramos também de interpretá-lo. Em outras palavras, não produzimos reflexão sobre o que deixamos de descrever e perdemos a capacidade de dialogar.

Se essa fato já acorre atualmente, onde o acesso a informação ainda não é rápido – questões de conectividade e interface com o usuário dos dispositivos móveis – e universal, como será quando ele for mais rápido. Será que no futuro vamos somente lembrar de links para as informações sem lembrar delas explicitamente? Imagine todas as suas lembranças salvas em um dispositivo onde em somente três pensamentos você consegue recordá-las. Será que ainda teremos a capacidade de reflexão sobre eventos passados. Parece um pouco pessimista o que estou dizendo, mas isso e preocupa.

Quanto mais rápido o acesso a informação, perderemos a capacidade de reflexão. Para sustentar essa afirmação, pense no ensino. Atualmente estudamos e decoramos coisas, que serão utilizadas para elaborar novos pensamentos e reflexões que pessoas nunca tiveram antes. Quanto mais estuda uma pessoas, maior o seus conhecimento e maior acesso a informação. É claro socialmente, que essas pessoas conseguem ter idéias e pensamentos mais elaborados, pois simplesmente pegam suas recordações e fazem uma reflexão sobre a relação entre elas. Agora pense uma sociedade em que o único conhecimento do ser é como chegar a informação. Será que haverá essa reflexão?

O única coisa que digo é: não perca a capacidade de ser humano e agir como um. Não se cientificamente é importante lembrar das coisas, mas para mim me parece. Eu me orgulho quando lembro de algo. É gostoso lembrar e refletir sobre pensamentos antigos.

Na atualidade muita informação é produzida. É normal o sentimento de incapacidade de não conseguir absorver toda essa informação. Mas acho que esse sentimento deve ser relevado e o importante é se ater a poucas coisas e lembrá-las de forma clara.

Bom a única coisa que peço é que quando forem falar comigo não coloquem dispositivos eletrônicos no meio da conversa, descreva o que você pensa e recorda. Não quero falar com um celular e nem saber 100% da verdade, mas sim quero falar com a pessoa que está a minha frente e saber o que ela pensa e interpreta. Deviríamos ser independentes da tecnologia e não fazer com que as nossas lembranças dependam dela.

Sempre fale o que você lembra e descreva quando está conversando com outra pessoa.

 

Como andar?

Andar parece ser algo muito simples, mas as pessoas conseguem complicar de maneira de maneira surpreendente. Algumas vez você já cruzou uma pessoa de frente e ficou varias vezes tentando desviá-la? Cada vez que você ia para um lado ela seguia-te e vocês ficaram no enrosco durantes uns bons segundos, correto?

Já aconteceu de um ciclista idiota/apresado quase te atropelar? Ou um babaca te ultrapassar pela esquerda enquanto você estava dirigindo? Acredite, a solução para todos esses problemas é a mesma. E não é não é difícil.

Antes de falar a solução quero lembrar algumas coisas. Primeiro: pessoas tem tempo de locomoção destintos, que veriam devido a vontade própria ou mecanismo que elas utilização. Segundo: existem pessoas que possuem prioridade na locomoção, no entanto essa prioridade pode estar explícita (ambulâncias com sirene ligada, pessoas berrando) ou implícitas (pessoa indo para hospital em carro de passeio, aluno atrasado para o prova em ritmo acelerado). Terceiro: quando você realiza a locomoção em qualquer via, seu único objetivo é se locomover, portanto não use celular, não fique parado para ver a paisagem. Quarto: possua um padrão de como lidar com as situações que seja o mesmo das outras pessoas na via.

Essas coisas ou princípios parecem banais e básicos. Mas garanto que quase ninguém os utiliza no dia a dia. Não basta ser um motorista atencioso, mas ser um pedestre desorientado. O quê adianta dar seta e ficar parado no lado esquerdo da escada no metro?

O que quero tratar aqui é sopre o quarto princípio, ou seja, o padrão que devemos utilizar na locomoção. Em países como o Brasil, as pessoas se locomovem no sentido anti-horário, ou seja, quando estamos entrando em uma rotatória ou cruzamento pegamos a direita, não a esquerda. Aqui vou utilizar o padrão brasileiro/americano para exemplificação, mas lembre que se um dia você estiver em um país como o Reino Unido, esses exemplos não são válidos.

Abaixo segui uma lista com o padrão que devemos seguir:

  • Existe alguém na minha direita e esta mais rápido do que eu -> continuo na minha velocidade e vou para a direita assim que possível.
  • Existem alguém na minha direita a mesma velocidade do que eu -> reduzo a minha velocidade, vou para a direita e volto a minha velocidade padrão.
  • Existe alguém a direita mais devagar do que eu -> vou para a direita assim que possível.
  • Não existe ninguém a minha direita -> você está no lugar errado, fazendo o que não deveria fazer. Vá o mais rápido possível para a direita.
  •  Existe alguém na minha frente mais devagar do que eu -> sinalize para a esquerda, vá para esquerda, continue sendo mais rápido que o outro e volte para a direita.
  • Existe alguém na minha frente -> vá para a direita.
  • Há alguém atrás de min mais rápido do que eu -> ou a pista somente tem uma via e você não pode fazer nada, ou você está no lugar errado e deveria estar a direita.

Com essas regras vamos analisar como resolveríamos alguns problemas do cotidiano:

1- Marginais:

Acabei de pegar essa image. Você consegue ver que existe uma maior concentração de carros na faixa da esquerda do que direita? Isso é totalmente irracional, inseguro e contra os princípios descritos aqui. Veja que erra possível todos os carros estarem ocupando somente as duas faixas da direita, mas as pessoas não pensam. Image se uma ambulância precisasse passar nessa avenida, como ela é um veículo de emergência com velocidade superior a todos os veículos da via, ela iria possivelmente estar mais a esquerda do que qualquer outro veículo. Como o tráfego nesse momento está suave, se as pessoas seguissem os meus princípios, ninguém precisaria mudar de faixa. Não seguindo os meus princípios a ambulância ficaria como louca desviando dos carros.

2- Eu de bicicleta e os pedestres:

Se eu estou mais rápido, quando me deparo em um pedestre indo no mesmo sentido do que eu, o ultrapasso pela esquerda – isso seguindo os princípios aqui sugeridos. Na vida real os pedestres estão andando, 30% ficam cambaleando de um lado para o outro, 5% estão parados na via conversando, 40% estão na esquerda ou no meio da via usando o celular e os outros 25% não seguem nenhum padrão de locomoção e tomam um susto quando a bicicleta passa. Parece brincadeira, mas isso é o que acontece.

3- Pessoa em direção oposta se encontrando:

Suponha que quando você encontra uma pessoa você seja aleatório, ou seja, vá com 50% de probabilidade para a direita e 50% para a esquerda. Dessa maneira existem a probabilidade de 50% dos dois decidirem ir para o mesmo lado. Utilizando que para cada tomada de decisão seja gasto em média 1 segundo, saiba que você irá gastar em cada encontro agindo aleatoriamente uma média de 2 segundos! Usando as sugestões descritas acima não há conflito.

Desculpa estar escrevendo esse tipo de coisa, mas parece que é algo que é simples e natural. No entanto ninguém ao meu redor consegue se locomover de maneira racional. Você segue algum padrão quando você anda ou dirige? Se não, utilize o sugerido. Se sim e for diferente do sugerido, me apresente e faça a devida defesa de seu benefício.

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