Ontem fui enganado descaradamente duas vezes. A pesar de ser em contexto totalmente destintos, foi prejudicado da mesma maneira e o sentimento o sentimento de revolta floresceu. Infelizmente, em ambos os casos me senti totalmente impossibilitado de tomar alguma atitude para mudar a situação – parte pois não havia o que fazer ou não tive coragem para a mesma.

Essa semana estou trabalhando em um evento que está ocorrendo no teatro do complexo Brasiliana. Normalmente estou cuidando do som ou verificando se todo o mundo que estar no auditório está devidamente identificado. Nessa biblioteca há três funcionários públicos que cuidam dela. Normalmente quando o palestrante está proferindo suas parlaras, eles ficam respectivamente em sua salas e quando há algum problema podemos chamá-los e temos todas a assistência necessária. A contradição já começa nesse ponto, o pessoal do evento que tem que cuidar do áudio e não os funcionários da biblioteca. Realmente não sei qual a função pela qual eles foram contratados, no entanto não faz sentido ter 3 pessoas para prestar assistência e nenhuma trabalhar. Mas vau ser legal e pensar que eles ficam cuidando da parte administrativa e burocrática do auditório (trabalho que ao meu ver poderia ser feito por uma pessoa em 2 horas por dia). Sem falar que eles também contratam um estudante para ser mais um assistente, nesse evento ele estava cuidando do vídeo.

Nessa sexta feira, tinha uma palestra que seria realizada via vídeo conferencia (Skype). A palestra foi um fiasco, pois não conseguíamos ouvir praticamente nada da palestrante remota. Símbolo da péssima conexão com a rede. Isso ocorreu no período da manhã. No período mais tarde, por volta de umas 5 horas, o estudante assistência teve que ir embora. Nesse momento o funcionário mais velho de cabelo branco da biblioteca, o qual não me recordo o nome, veio e sentou com o computador ao meu lado. Eu estava na mesa de som e observei que em seu computador vermelho ele estava simplesmente assistindo televisão. Nesse momento fiquei um pouco bravo, pois não tinha ninguém cuidando da gravação da palestra e ele, funcionário sendo pago, estava simplesmente assistindo sua televisão. Em um certo momento essa pessoa abe um site, para ser mais específico o ThePirateBay.

Não sei se ele chegou a iniciar o download de torrents ou não. Mas cheguei rápido a conclusão que a atitude de assistir vídeos e baixar conteúdo ilegal poderia ser a causa do problema no período da manha. Ou seja, a universidade pública sustentando pessoas que provavelmente não realizam a função que deveriam exercer e que atrapalham o desenvolvimento da universidade. Não sei se a culpa é dele ou de outra pessoa que veria fiscalizar o trabalho desse ser, mas o que eu sei que eu e todos aqueles que contribuem para o estado fomos simplesmente feitos de idiotas.

A revolta se passou e fui para o centro de São Paulo assistir um evento na Sala São Paulo. Saindo do metro na linha quatro me deparo com um estrangeiro falando ele inglês. Segundo o que me disse, ele é canadense e tinha tido um problema ao receber seu dinheiro da Western Union. Ele veio para o Brasil para fazer mestrado em matemática na Universidade de São Paulo e tinha ido ao centro pegar seu dinheiro. Disse também que precisava de 20 reais para passar a noite – acabar de escrever seu livro, tomar um banho e dormir. Em meio a minha conversa com ele, comenta que tinha ido comer no bandejão durante o dia e que tinha amigos no CRUSP.  Fiquei com pena real da pessoa e dei a ele todo o dinheiro que tinha no bolso, 5 reais e algumas moedas. Ele me agradeceu e continuamos conversando. Ele ficou super contente quando disse também estudava na matemática.

Nesse momento senti um pequeno cheiro de bebida. Não sei de provinha dele ou da composição única de odores do centro de São Paulo.

Comentei que tinha um pouco de pressa, pois tenha um compromisso na Sala São Paulo. Nesse momento ele comentou sobre um dia que a algum parente do ex-presidente do estados unidos Bush tinha comparecido a Sala São Paulo para tocar piano. Disse que desconhecia do evento e que estava com pressa. Acabo de averiguar esse fato do oráculo das buscas não encontrei nada a respeito.

Antes da pessoa se despedir perguntei para ele qual era o seu orientador. Falou que ainda estava a procura de um, no entanto como a universidade estava em período de férias. Não conseguiu entrar em contato com nenhum. Também interroguei-lhe a respeito dos seus amigos na unicidade, disse que teria muita vergonha de solicitar auxílio a eles a esse hora da noite e que no CRUSP não haveria espaço para ele dormir.

Um fato importante que esqueci de comunicar é que no início de nessa conversa ele solicitou para que nos saíssemos da porta do metro pois lá havia câmeras. Não sei se isso será relevamento para minhas conclusões posteriores, mas me pareceu muito estranho.

Chegando na Sala, comecei a pensar. Primeiro fato: como ele comeu no bandejão sendo que nem era aluno? Segundo: como ele sabia do evento que tinha ocorrido em São Paulo sendo que ele tinha acabado de chegar? Terceiro: porque tinha medo das câmeras? Quarto: pedir dinheiro na rua não é mais vergonhoso do que pedir auxílio a um amigo? Devido a esses fatos chegue a conclusão que fui feito totalmente de idiota.

Apesar de serem situações destintas, em ambos os casos uma revolta interna surgiu dentro de min. Ajudar o próximo, acredita no funcionalismo público é algo que ainda quero preservar dentro da minha essência. Mas vejo que isso se torna mais difícil quando me deparo com a realidade, sendo assim um idiota.